21 de dezembro de 2011

Esperamos seis meses pra assistir Barcelona e Santos na final do mundial e quando chegou à hora, o time brasileiro decepcionou. O Santos não entrou em campo. E se entrou, foi pra pegar autógrafos com o Barcelona. O resultado, obviamente, foi catastrófico. Uma goleada por 4 a 0 para o Barça e uma lição de Guardiola.

Antes de entrarmos no mérito do que Guardiola falou em sua coletiva pós-jogo é preciso ponderar. Após o término da partida, vimos incontáveis meios de comunicação falando em choque de realidade entre o futebol brasileiro e o europeu. Alguns veículos diziam até que Neymar acertou ao ficar no Brasil, pois ainda precisa evoluir e não estava pronto para dar dribles em zagueiros do Velho Continente. Já eu, penso diferente.

Santos não jogou como Santos e apenas assistiu a conquista do segundo Mundia da história do Barcelona. (Crédito: Getty Images)

O Barcelona é de outro mundo. Joga muito e joga como nínguem o faz hoje.  E o fato do Barça ser "extraterrestre" já ameniza as afirmações de choque de realidade. Afinal, se o Real Madrid de Cristiano Ronaldo, José Mourinho e Kaká passa apuros sempre que joga contra esse mesmo Barcelona, porque seria diferente para o Santos de Neymar, Ganso e Muricy.

Qualquer clube grande no Brasil joga de igual para igual com qualquer grande da Europa. Não necessariamente as equipes brasileiras ganhariam, mas que dificultariam o trabalho de seus adversários não tenho dúvida. Basta lembrarmos que o futebol brasileiro coleciona triunfos sobre o futebol europeu ao longo dos anos.

Levando em conta apenas jogos entre times  brasileiros e europeus no Mundial de Clubes, a vantagem é brasileira. Em 20 jogos foram 11 vitórias dos clubes daqui contra apenas seis das equipes europeias. E mesmo o Barcelona já sofreu com os times do Brasil. Pergunte ao São Paulo de 1992, ou ao Internacional de 2006.

O Barcelona de Pep Guardiola e Messi é de outro mundo. Dessa forma, como já disse antes, o Barça é a exceção e não a regra. Portanto, na minha visão, esta fora de questão dizer que existe um choque de realidade entre Europa e Brasil.

Quanto a Neymar, é fato que a joia santista ainda não está 100% pronta para sair. Não está como também não estava Ronaldo, quando saiu do Cruzeiro com 19 anos. Como também não estavam tantos outros e que deram, ou não, certo. A idade não é a regra.

Neymar está no Brasil, pois o dinheiro hoje está aqui. A Europa está em crise. E se os clubes ainda não estão, posso apostar que no atual cenário econômico, não terão tanto investimento nos próximos anos como estão acostumados. Neymar acertou em ficar no Brasil, não pelo futebol. Acertou, pois era o melhor para sua carreira.

E o grande ponto a ser notado e a grande lição que deve ficar desse fiasco brasileiro no Mundial, foi à declaração de Guardiola na coletiva após a 13ª conquista do clube sobre seu comando.

Ao ser questionado por um repórter se o Barcelona havia reinventado o futebol, o treinador catalão foi sucinto e simplista. Respondeu sem arrogância alguma: "Na verdade, nós só tentamos tocar a bola o mais rápido possível. Talvez façamos isso um pouco melhor que os outros, mas só fazemos aquilo que meu pai falava que os brasileiros faziam desde sempre."

Isso, que nós fazíamos "desde sempre", ficou para trás. E talvez seja nesse aspecto que devemos nos pautar. Parar de olhar para a Europa e tentar copiar o "padrão tático e disciplina" de times médios e até das grandes equipes europeias. Devemos olhar para nós, e fazer aquilo que o Santos não fez contra o Barcelona. Sermos nós mesmos. Sermos os brasileiros que "improvisam" e acrescentar a isso o que vemos na Europa, ao invés de deixarmos nosso estilo de lado.

O Santos perdeu de forma acachapante. E embora o Santos não fosse o Brasil, o Brasil era representado pelo Santos. E talvez esse momento da nossa história sirva para nos colocar nos eixos. E se isso acontecer devemos agradecer a um time e um treinador. Devemos agradecer ao Barcelona, Pep Guardiola e seu "estilo brasileiro" de jogar futebol bonito, alegre e ousado.

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