No Brasil, esses números ainda são tão inimagináveis quanto impraticáveis. Contudo, um estudo realizado pela Associação de Futebol Americano do Brasil (AFAB), a entidade máxima do futebol americano no país e responsável pelo desenvolvimento e regulamentação do esporte, mostra que nosso país tem tido um crescimento sobre o interesse na modalidade.
Segundo o estudo, realizado há dois anos atrás, desde o ano 2000 até 2009 foram criadas mais de 100 equipes praticantes de futebol americano, além é claro das Associações Organizadoras. Segundo o site da AFAB, o futebol americano é hoje “o esporte que mais cresce no Brasil”. Ainda de acordo com a pesquisa, o estado com mais equipes de F.A. é São Paulo com 28 times no total. Na segunda posição aparecem o Rio de Janeiro e o Ceará com 10 equipes cada.
Mário Lewandowski, diretor de marketing e representante internacional da AFAB, apresenta dados que comprovam o desenvolvimento da modalidade no Brasil. Apesar de lamentar “a falta de dados objetivos sobre o crescimento do esporte a nível nacional antes de 2009”, o diretor afirma que “de lá para cá o número de times de FA de Grama equipados subiu de 8 para mais de 40 em 2011, mostrando um média inicial de 250% ao ano. O número de times de flag também aumentaram drasticamente. Já a quantidade de times de FA de Praia e FA sem equipamentos (que não é reconhecido pela AFAB) tem diminuindo, ao passo que os jogadores migram para o FA com equipamentos e para a grama. Em 2000, havia somente 3 times de futebol americano no Brasil, hoje já são mais de 100 equipes e mais de 5000 praticantes, de acordo com o Censo do Movimento Futebol Americano no Brasil.”
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| FONTE: Torneio Touchdown, portfólio 2010 |
Além de Mário, outro que confia no crescimento do esporte é André José Adler, ex-narrador de futebol americano da emissora ESPN Brasil, e atual idealizador do Torneio Touchdow, o campeonato nacional do futebol americano brasileiro. Adler acredita que através de um torneio equilibrado e competitivo, o esporte seja capaz de atrair expectadores. Dessa forma, “ você vai criando o interesse de empresas em patrocinar o esporte, ou ate mesmo em comunicar-se com esses expectadores.”
Além da falta de incentivo financeiro, o torcedor Gustavo, de 17 anos e presente no jogo entre Corinthians Steamrollers e Tubarões do Cerrado, que ocorreu em São Caetano, também identifica outro problema.”A falta de conhecimento do público sobre as regras e sistemas de pontuação também atrapalham. Porém, se vier acontecer muitos jogos o esporte conseguirá notoriedade.”
As equipes de futebol americano tentam driblar essa falta de interesse através de parcerias com clubes do futebol convencional. São os casos de Botafogo Mamutes, Corinthians Steamrollers, Palmeiras Locomotives, Santos Tsunami e Vasco da Gama Patriotas. Todas equipes “apadrinhadas” na camisa possam também ter a devida atenção.”
O diretor justifica esse pensamento com a seguinte afirmação. “Há um benefício muito grande no curto prazo, por conta da atenção e mídia que trazem ao esporte. Isso fica muito claro no trabalho do Corinthians Steamrollers e do Vasco da Gama Patriotas. Porém, há um movimento de médio prazo em que isso prejudica as outras equipes, pois quando o interesse está voltada para os times de futebol sobra pouca atenção, mídia e, consequentemente patrocínio, para visão do diretor. “São necessários tempo e qualificação dos gestores. O futebol americano brasileiro atingiu um ponto em que há demanda para praticá-lo (aspirantes a jogadores), financiá-lo (patrocinadores dispostos), e assistí-lo (público interessado). Com isso, só precisamos continuar melhorando nossas práticas gerenciais, organização e coordenação. Além disso, precisamos de tempo para que os campeonatos ocorram e mais pessoas tenham a oportunidade de conhecer o futebol americano. O esporte é apaixonante para qualquer um que se dê ao por times de futebol. Com as parcerias, é possível melhorar as condições de treinamento, e trazer até jogadores de fora, como é o caso do Steamrollers, que contam com seis estrangeiros em seu plantel.
Nesse sentido, Mário acredita que é necessária uma dose de cuidado para não se perder a mão futuramente. “A entrada destes times pode ser muito positiva, como tem sido em alguns casos, mas tem que ser acompanhada de perto e tem de haver uma boa gestão dos campeonatos e da AFAB para garantir que os bons times de FABR que não tem um escudo de time de futebol as equipes que não tem este tipo de apoio.”
E é nessa vertente que o presidente e jogador da equipe ABC Corsários vai.”O Steamrollers tem o apoio de um grande time de soccer e todos com este apoio tendem a ter uma estrutura muito mais adequada para os seus atletas. O ideal seria todos os times terem esta estrutura mas, como disse acima, sem apoio e sobrevivendo dos próprios jogadores,é muito complicado.”
Para Mário, existe uma solução para evitar problemas desse tipo e para o crescimento da modalidade no Brasil. O melhor de tudo é que ela já é uma realidade, na trabalho de entendê-lo. Por isso, só precisamos de tempo e boa gestão dos nossos recursos para que mais pessoas possam conhecê-lo, compreendê-lo e acompanhá-lo.
Outro fato que pode favorecer o crescimento do futebol americano no Brasil, é a importação de atletas para as equipes nacionais. Com a vinda de jogadores, sejam americanos, italianos ou de qualquer outra nacionalidade, para atuar aqui no Brasil, o esporte cresce rumo a profissionalização. Mário Lewandowski, comenta o assunto. “Há jogadores e técnicos franceses, britânicos, americanos e italianos no Brasil. Todos trazem consigo bagagem, conhecimento e experiência para passar aos jogadores e técnicos brasileiros. A AFAB incentiva o intercâmbio de experiências com jogadores e técnicos estrangeiros e esperamos com isso, dar um salto na qualidade do FABR."
Contudo, apesar de se mostrar a favor, Mário faz mais uma ressalva em relação a importação excessiva de atletas. “É importante ressaltar que isso só é benéfico quando o jogador vem para ensinar, e não para tomar o lugar dos brasileiros. Isso não é o objetivo e, caso aconteça a AFAB tomará medidas para evitar que a entrada de jogadores estrangeiros mine o desenvolvimento do FABR.”, conclui o diretor de Associação de Futebol Americano do Brasil.
Além da pouca organização outro fator que pode dificultar a popularização do esporte, é a crença de que o esporte é muito violento e agressivo. Rubens Monterrubio, presidente do ABC Corsários, acredita que existe um jeito para quebrar essa linha de pensamento. “o que precisamos é divulgar o jogo, pois normalmente as pessoas que acham que é só pancadaria não conseguem ver a estratégia. A partir do momento que isso for divulgado, acredito que o Futebol Americano tem tudo para chegar ao segundo esporte mais praticado e assistido no país.” Mas, apesar dos esforços realizados por diretores, equipes e jogadores, todos os participantes desse esporte no país sabem a real condição do futebol americano. Questionado se o FA poderia bater de frente com o futebol tradicional do Brasil, Adler foi enfático ao responder. “Não. O futebol inglês levou muitos e muitos anos pra chegar aonde está, no Brasil. É um esporte muito mais barato. Em qualquer espaço e com uma bola você pode jogar. Num estacionamento, na praia. Em todo lugar você pode adaptar. E também não tem tantas regras, tantos elementos e tantas variações quanto o FA.”
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