4 de abril de 2012

Trezentos e vinte e três milhões de te­lespectadores. Esse é o total de pes­soas em todo o mundo que assitiram a 45ª edição do Super Bowl, a grande final do futebol americano nos Estados Unidos. O evento se tornou o programa mais visto da história da televisão americana, que somente naquele país, atraiu mais de 111 milhões de pessoas. Com tantas pessoas de olho em um úni­co acontecimento, é de se imaginar que as cifras geradas pelo Super Bowl sejam altas e absurdas. E realmente são. Na edição de 2011, a final movimentou um montante que gira em torno de US$10,1 bilhões. O maior valor da história do evento.

No Brasil, esses números ainda são tão inimagináveis quanto impraticáveis. Con­tudo, um estudo realizado pela Associação de Futebol Americano do Brasil (AFAB), a entidade máxima do futebol americano no país e responsável pelo desenvolvimento e regulamentação do esporte, mostra que nosso país tem tido um crescimento sobre o interesse na modalidade.

Segundo o estudo, realizado há dois anos atrás, desde o ano 2000 até 2009 fo­ram criadas mais de 100 equipes pratican­tes de futebol americano, além é claro das Associações Organizadoras. Segundo o site da AFAB, o futebol americano é hoje “o es­porte que mais cresce no Brasil”. Ainda de acordo com a pesquisa, o estado com mais equipes de F.A. é São Paulo com 28 times no total. Na segunda posição aparecem o Rio de Janeiro e o Ceará com 10 equipes cada.

Mário Lewandowski, diretor de ma­rketing e representante internacional da AFAB, apresenta dados que comprovam o desenvolvimento da modalidade no Bra­sil. Apesar de lamentar “a falta de dados objetivos sobre o crescimento do esporte a nível nacional antes de 2009”, o diretor afirma que “de lá para cá o número de times de FA de Grama equipados subiu de 8 para mais de 40 em 2011, mostrando um média inicial de 250% ao ano. O número de times de flag também aumentaram dras­ticamente. Já a quantidade de times de FA de Praia e FA sem equipamentos (que não é reconhecido pela AFAB) tem diminuindo, ao passo que os jogadores migram para o FA com equipamentos e para a grama. Em 2000, havia somente 3 times de futebol americano no Brasil, hoje já são mais de 100 equipes e mais de 5000 praticantes, de acordo com o Censo do Movimento Fute­bol Americano no Brasil.”

FONTE: Torneio Touchdown, portfólio 2010

Além de Mário, outro que confia no crescimento do esporte é André José Adler, ex-narrador de futebol americano da emissora ESPN Brasil, e atual idealiza­dor do Torneio Touchdow, o campeonato nacional do futebol americano brasileiro. Adler acredita que através de um torneio equilibrado e competitivo, o esporte seja capaz de atrair expectadores. Dessa forma, “ você vai criando o interesse de empresas em patrocinar o esporte, ou ate mesmo em comunicar-se com esses expectadores.”

Além da falta de incentivo financeiro, o torcedor Gustavo, de 17 anos e presente no jogo entre Corinthians Steamrollers e Tuba­rões do Cerrado, que ocorreu em São Cae­tano, também identifica outro problema.”A falta de conhecimento do público sobre as regras e sistemas de pontuação tam­bém atrapalham. Porém, se vier acontecer muitos jogos o esporte conseguirá notorie­dade.”

As equipes de futebol americano tentam driblar essa falta de interesse através de parcerias com clubes do futebol conven­cional. São os casos de Botafogo Mamutes, Corinthians Steamrollers, Palmeiras Loco­motives, Santos Tsunami e Vasco da Gama Patriotas. Todas equipes “apadrinhadas” na camisa possam também ter a devida atenção.”

O diretor justifica esse pensamento com a seguinte afirmação. “Há um benefício muito grande no curto prazo, por conta da atenção e mídia que trazem ao esporte. Isso fica muito claro no trabalho do Corinthians Steamrollers e do Vasco da Gama Patriotas. Porém, há um movimento de médio prazo em que isso prejudica as outras equipes, pois quando o interesse está voltada para os times de futebol sobra pouca atenção, mídia e, consequentemente patrocínio, para visão do diretor. “São necessários tempo e qualificação dos gestores. O futebol ameri­cano brasileiro atingiu um ponto em que há demanda para praticá-lo (aspirantes a joga­dores), financiá-lo (patrocinadores dispos­tos), e assistí-lo (público interessado). Com isso, só precisamos continuar melhorando nossas práticas gerenciais, organização e coordenação. Além disso, precisamos de tempo para que os campeonatos ocorram e mais pessoas tenham a oportunidade de conhecer o futebol americano. O esporte é apaixonante para qualquer um que se dê ao por times de futebol. Com as parcerias, é possível melhorar as condições de treina­mento, e trazer até jogadores de fora, como é o caso do Steamrollers, que contam com seis estrangeiros em seu plantel.

Nesse sentido, Mário acredita que é necessária uma dose de cuidado para não se perder a mão futuramente. “A entrada destes times pode ser muito positiva, como tem sido em alguns casos, mas tem que ser acompanhada de perto e tem de haver uma boa gestão dos campeonatos e da AFAB para garantir que os bons times de FABR que não tem um escudo de time de futebol as equipes que não tem este tipo de apoio.”

E é nessa vertente que o presidente e jo­gador da equipe ABC Corsários vai.”O Ste­amrollers tem o apoio de um grande time de soccer e todos com este apoio tendem a ter uma estrutura muito mais adequada para os seus atletas. O ideal seria todos os times terem esta estrutura mas, como disse aci­ma, sem apoio e sobrevivendo dos próprios jogadores,é muito complicado.”

Para Mário, existe uma solução para evitar problemas desse tipo e para o cresci­mento da modalidade no Brasil. O melhor de tudo é que ela já é uma realidade, na trabalho de entendê-lo. Por isso, só preci­samos de tempo e boa gestão dos nossos recursos para que mais pessoas possam conhecê-lo, compreendê-lo e acompanhá-lo.

Outro fato que pode favorecer o cresci­mento do futebol americano no Brasil, é a importação de atletas para as equipes na­cionais. Com a vinda de jogadores, sejam americanos, italianos ou de qualquer outra nacionalidade, para atuar aqui no Brasil, o esporte cresce rumo a profissionalização. Mário Lewandowski, comenta o assunto. “Há jogadores e técnicos franceses, britâni­cos, americanos e italianos no Brasil. To­dos trazem consigo bagagem, conhecimen­to e experiência para passar aos jogadores e técnicos brasileiros. A AFAB incentiva o intercâmbio de experiências com jogadores e técnicos estrangeiros e esperamos com isso, dar um salto na qualidade do FABR."

Contudo, apesar de se mostrar a favor, Mário faz mais uma ressalva em relação a importação excessiva de atletas. “É impor­tante ressaltar que isso só é benéfico quan­do o jogador vem para ensinar, e não para tomar o lugar dos brasileiros. Isso não é o objetivo e, caso aconteça a AFAB tomará medidas para evitar que a entrada de joga­dores estrangeiros mine o desenvolvimento do FABR.”, conclui o diretor de Associação de Futebol Americano do Brasil.

Além da pouca organização outro fator que pode dificultar a popularização do esporte, é a crença de que o esporte é muito violento e agressivo. Rubens Monterrubio, presidente do ABC Corsários, acredita que existe um jeito para quebrar essa linha de pensamento. “o que precisamos é divulgar o jogo, pois normalmente as pessoas que acham que é só pancadaria não conseguem ver a estratégia. A partir do momento que isso for divulgado, acredito que o Futebol Americano tem tudo para chegar ao segun­do esporte mais praticado e assistido no país.” Mas, apesar dos esforços realizados por diretores, equipes e jogadores, todos os participantes desse esporte no país sabem a real condição do futebol americano. Ques­tionado se o FA poderia bater de frente com o futebol tradicional do Brasil, Adler foi enfático ao responder. “Não. O futebol in­glês levou muitos e muitos anos pra chegar aonde está, no Brasil. É um esporte muito mais barato. Em qualquer espaço e com uma bola você pode jogar. Num estaciona­mento, na praia. Em todo lugar você pode adaptar. E também não tem tantas regras, tantos elementos e tantas variações quanto o FA.”

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